sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O sol lá fora brilha, e eu cá dentro pareço personagem de banda desenhada, sem cor. Por mais vontade, ou desejo que tenha não consigo clicar no delete ou até mesmo pegar numa borracha e apagar-te do meu pensamento. Existem borrachas que apagam caneta, e borrachas que apagam sentimentos ou pessoas? Não há. Enquanto podemos abrir parênteses, riscar, fechar parênteses, quando utilizamos caneta e erramos. Não podemos abrir parênteses, riscar e fechar parênteses nos nossos pensamentos ou nas pessoas. Se riscar a pessoa, resolvesse o que estou a sentir, acredita que agora estarias todo riscado, e talvez arranhado pela minha vontade de esquecer-te, e a caneta não o fazer. Porque normalmente as canetas não escrevem, riscam na pele dos seres humanos. Para as coisas simples existem varias soluções, agora para as difíceis não há nem uma.
No meu pensamento, corro para a praia. Sentou-me num rochedo e começo a olhar para o imenso mar , onde me procuro perder na imensidão. Hoje está tudo contra mim, até os meus pensamentos. O sol está a reflectir o teu rosto, bem a minha frente, bem ao pormenor. Enervei-me e atirei um pedregulho ao mar, um daqueles feios, e bem pesados (ao atira-lo quase caía com ele) As águas do mar turvaram, mas nunca sem deixar de aparecer o teu rosto. Pego numa garrafa de vidro esquecida, escrevo tudo que sinto por ti num papel aos quadrados, arrancado do caderno de matemática, enrolo o papel e meto-o na garrafa. Estou a imaginar-me sozinha numa ilha e tu estás na ilha vizinha e distante mesmo assim. Atiro a garrafa ao mar com o desejo que tu a encontres.    
Perdi-me em ti, não sei o que mais fazer ou dizer.
(...)

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